Brasil pode ter 54 GW solares até 2026, aponta estudo

Relatório global da Solar Power Europe mostra que a fonte já ultrapassou a marca de 1 terawatt, tendo dobrado a capacidade instalada nos últimos três anos.

Um estudo internacional lançado neste mês em Munique, na Alemanha, mostra que a energia solar acaba de ultrapassar a marca histórica de 1 TW de potência instalada. Segundo o Global Market Outlook for Solar Power 2022-2026, o Brasil, líder na implementação da fonte na América Latina, deve se tornar um dos principais mercados globais nos próximos anos, podendo atingir 54 GW de capacidade total até 2026. Atualmente são 15,3 GW disponibilizados na matriz de geração nacional.

O relatório aponta que apesar dos impactos sem precedentes causados pela pandemia no mundo, a capacidade FV dobrou no mundo nos últimos três anos. Com isso, em abril o setor ultrapassou a marca de 1 TW de sistemas solares em operação no mundo. A projeção é de que a tecnologia continuará acelerando seu crescimento, ultrapassando a marca de 2 TW em menos de quatro anos, o que representará o dobro da potência de geração de eletricidade da França e da Alemanha somadas.

O levantamento foi coordenado pela SolarPower Europe, associação europeia do setor solar, contando com a participação e co-autoria da Associação Brasileira de Energia Solar fotovoltaica (Absolar). A entidade foi responsável por dois capítulos do documento: um que apresenta o panorama e perspectivas da fonte na América Latina e outro especificamente dedicado ao mercado no Brasil.

O presidente executivo da Absolar, Rodrigo Sauaia, destacou que em 2021 o país foi um dos mercados líderes do mundo na instalação de novos sistemas FV, tendo adicionado 5,7 GW ao longo do ano, considerando a somatória das grandes usinas com os painéis em telhados, fachadas e pequenos terrenos.

“Desde 2012 a solar trouxe mais de R$ 82,1 bilhões de investimentos e mais de 459 mil novos empregos acumulados, além de ter evitado a emissão de 22 milhões de toneladas de CO2 na geração de eletricidade. Isso é apenas o começo, dado que a tecnologia ainda tem um imenso potencial para avançar no Brasil”, conclui.

Tendências e inovações

Na feira foram apresentadas as principais tendências tecnológicas do setor e as inovações em desenvolvimento na Europa. Entre elas o uso de sistemas em telhados e fachadas de edificações substituindo materiais construtivos como telhas, brises e revestimentos de fachadas. Há também o crescente interesse nos projetos flutuantes, instalados sobre superfícies de água de lagos e reservatórios hidroelétricos, aumentando a geração e ajudando a reduzir a evaporação de água.

Outra frente são as novas aplicações junto à produção rural, diretamente sobre plantações, proporcionando um uso duplo da área produtiva, considerando também a combinação da geração com armazenamento, especialmente por meio de baterias.

Completam a lista a aceleração da mobilidade elétrica, com mais opções de carregadores para uso em residências e empresas, e os novos softwares e soluções de gestão de consumo energético, aplicando a inteligência digital para otimizar o uso da eletricidade nos horários críticos, reduzindo gastos e custos aos consumidores.

Fonte: https://www.canalenergia.com.br/noticias/53212279/brasil-pode-ter-54-gw-solares-ate-2026-aponta-estudo